OPINIÃO: A privatização da Eletrobrás é crime de lesa pátria

Por Heitor Scalambrini Costa em 21/05/2021 às 22:31:53

Cada dia que passa deparamos com as a√ß√Ķes antipopulares e antidemocr√°ticas de um (des)governo eleito pelo povo brasileiro, em um processo eleitoral repleto de questionamentos, e onde a internet teve um papel decisivo para os descalabros ocorridos.

O arrependimento de quem votou nesta figura, até ent√£o sem nenhuma relev√Ęncia no debate das quest√Ķes nacionais, fica claro diante das √ļltimas pesquisas de opini√£o. Todavia, mesmo desacreditado e agonizante, o governo federal continua "passando a boiada", implementando sua pol√≠tica de terra arrasada. Quer na quest√£o dos costumes, na pol√≠tica energética, no combate da pandemia, na pol√≠tica ambiental, indigenista, educacional, de seguran√ßa p√ļblica, entre outras.

Neste espa√ßo comento o crime que o governo federal, com o apoio da maioria dos membros da C√Ęmara Federal (ser√° consequ√™ncia do famigerado Bolsol√£o?), promove contra um setor fundamental, essencial e estratégico para a autonomia, soberania e seguran√ßa energética do pa√≠s. A privatiza√ß√£o da maior empresa latino-americana de gera√ß√£o de energia, a Eletrobr√°s. Empresa estatal, patrimônio do povo brasileiro, incluindo suas subsidi√°rias Furnas e a CHESF (Companhia Hidrelétrica do S√£o Francisco), e possuidora da metade das linhas de transmiss√£o do pa√≠s.

Escrevi alguns artigos a respeito desta ação nefasta, de um governo nefasto que promove este atentado criminoso contra o povo brasileiro. Disponibilizo alguns links.

https://www.pressenza.com/pt-pt/2017/08/argumentos-mentirosos-privatizar-eletrobras/

https://www.ecodebate.com.br/2018/04/24/quem-quer-a-eletrobras-privatizada-artigo-de-heitor-scalambrini-costa/

https://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunas/privatizacao-do-setor-eletrico-%E2%80%93-aumento-das-tarifas-e-das-demissoes/

https://www.fnucut.org.br/privatizar-chesf-e-privatizar-o-rio-sao-francisco/

Além de justificativas mentirosas, o neoterrorismo é usado como estratégia, e est√° presente na defesa da privatiza√ß√£o. O ministro de Minas e Energia (aquele mesmo que defende a constru√ß√£o de usinas nucleares na beira do Rio S√£o Francisco), o almirante Bento Junior, declarou recentemente "que a empresa vai acabar caso n√£o ocorra a privatiza√ß√£o", "que a privatiza√ß√£o da Eletrobr√°s é essencial, necess√°ria para o consumidor brasileiro e principalmente para a redu√ß√£o das tarifas de energia elétrica".

O ministro deste governo patético, entreguista, escamoteia a verdade ao omitir que a privatiza√ß√£o serve somente ao mercado, ao setor privado, que vai receber este presente de "papai noel" fora de época, a pre√ßo irrisório. Além de proporcionar o desmonte do verdadeiro patrimônio nacional, que é a expertise do seu quadro técnico, a "intelig√™ncia" acumulada, com as demiss√Ķes de seus técnicos e engenheiros, que ocorrer√£o certamente.

A afirmativa, sem nenhum lastro em fatos j√° ocorridos de outras privatiza√ß√Ķes do setor elétrico, de que haver√° a redu√ß√£o das tarifas, é uma fal√°cia recorrente quando se trata em justificar a privatiza√ß√£o perante os incautos. Os governadores do Nordeste, em recente documento publicado, afirmam que haver√° "impacto da privatiza√ß√£o nas tarifas de energia para os consumidores, abrindo caminho para a precariza√ß√£o na presta√ß√£o do servi√ßo". Ou seja, as tarifas de energia elétrica ficar√£o mais caras para o consumidor, e o servi√ßo prestado para a popula√ß√£o vai piorar.

Lembrando ainda que as bravatas do ministro não têm limites, ao afirmar que:

"a energia nuclear est√° na agenda dos maiores pa√≠ses do mundo e também da transi√ß√£o energética que o mundo est√° vivendo para uma economia de baixo carbono", e assim defender esta fonte energética, pol√™mica, questionada, e mesmo abandonada por pa√≠ses como a Alemanha, It√°lia, Bélgica, Su√≠√ßa, Holanda, Suécia, Taiwan entre outros. Obviamente, os poucos pa√≠ses fornecedores de equipamentos para usinas nucleares, os chamados "players", com interesses comerciais, fomentam esta tecnologia insustent√°vel, perigosa e cara, como a Fran√ßa, a R√ļssia, a China e os Estados Unidos. Para estes pa√≠ses é uma mera quest√£o de "negócios".

Estamos diante de uma situa√ß√£o que est√° em jogo é a privatiza√ß√£o da √°gua dos rios, dos reservatórios controlados pela Eletrobr√°s e suas subsidi√°rias. Como deixar a gest√£o destes recursos nas m√£os do mercado, j√° que tem uma import√Ęncia social, ambiental e econômica fundamental para o pa√≠s?

Defendemos sim uma transi√ß√£o energética, democr√°tica, justa, inclusiva e popular, e n√£o ditada pelos interesses do capital, dos grandes grupos econômicos – financeiros, que se apossaram do Ministério de Minas e Energia, e do governo federal.

Heitor Scalambrini Costa
Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco

Fonte: Da Redação com Cersa

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