Caso Henry: Monique diz que defesa montou farsa para proteger Jairinho; veja novas cartas

De dentro da cadeia, Monique Medeiros escreveu uma nova carta com acusa√ß√Ķes ao primeiro advogado do casal. Fant√°stico tamb√©m teve acesso a cartas da m√£e do menino para o delegado do inqu√©rito, familiares, advogados e Leniel, pai de Henry.

Por Paulo Pereira em 02/05/2021 às 22:16:42
Caso Henry: Monique diz que defesa montou farsa para proteger Jairinho; veja novas cartas

Caso Henry: Monique diz que defesa montou farsa para proteger Jairinho; veja novas cartas

O Fant√°stico teve acesso com exclusividade a uma nova carta da m√£e do menino Henry, Monique Medeiros, escrita na cadeia.

Assim como o primeiro relato, esta segunda mensagem traz uma vers√£o diferente do depoimento que Monique prestou à pol√≠cia. Ela conta o teria acontecido nos dias que se seguiram à morte de Henry e acusa o seu primeiro advogado de ter montado uma farsa.

O que diz a m√£e de Henry agora:

  • Que o primeiro advogado só aceitaria o caso se eles se unissem e combinassem uma vers√£o inventada;
  • Que ele teria cobrado R$ 2 milh√Ķes pela defesa do casal;
  • Que ela n√£o fazia ideia que estava levando o filho morto para o hospital;
  • Que ela tinha passos controlados e era sempre monitorada por orienta√ß√Ķes do advogado;
  • E relata v√°rios episódios em que foi agredida por Jairinho.

A m√£e de Henry escreveu novos textos na pris√£o. Os advogados afirmam que a √ļnica forma de contato com Monique Medeiros na semana passada foi por escrito. Em depoimento, Monique mentiu à pol√≠cia.

"A carta é uma forma de mostrar a import√Ęncia de um depoimento dela. A carta desdiz muita coisa que foi dita num momento completamente distinto do atual", destaca a defesa.


Os advogados afirmam que nos √ļltimos dias, Monique também escreveu uma carta emotiva para o filho. E pediu que n√£o fosse divulgada. E também escreveu ao delegado Henrique Damasceno, respons√°vel pelo inquérito, para a fam√≠lia dela e para Leniel, pai do menino.

"Eu estou sendo apedrejada na cadeia! Todos os dias elas gritam dizendo que vou morrer e que ir√£o me matar, pois acreditam que eu deixava o Jairinho bater no Henry", diz um trecho.

Monique afirma que no dia da morte do filho, 8 de março, acreditava que ele tinha sido vítima de um acidente. E assegura que não fazia ideia que estava levando o filho morto para o hospital.

"Em nenhum momento passou pela minha cabeça que meu filho poderia estar sem vida em meus braços", diz um trecho da nova carta.

Ela só receberia a not√≠cia no hospital, de uma enfermeira. "Depois da not√≠cia, a funcion√°ria disse que precisaria da presen√ßa da pediatra dele para dar o atestado de óbito e Jairinho por ser médico se prontificou a fazer a fim de ajudar", destaca outra trecho.

Monique conta que Leniel Borel, o pai de Henry, ficou encarregado de ir à delegacia, enquanto ela e Jairinho cuidariam do velório do filho. E que Leniel foi para o IML, onde foi realizado o exame de necrópsia. "Leniel me ligou dizendo que havia alguma coisa errada com o exame do Henry. Que estava constando: lacera√ß√£o hep√°tica, por uma a√ß√£o contundente e hemorragia interna", relata outro trecho da carta.

"E a√≠ eu mostrei pra ela e falei: olha só, Monique. T√° vendo aqui. Isso aqui n√£o é natural. O policial tava próximo e eu falei: isso é natural? N√£o. Isso é uma agress√£o. Ela n√£o falou nada, Carlos. Nada ela falou naquele momento. Ficou quieta. Depois foi pra fora do IML ali e ficou chorando com o irm√£o mas n√£o falou nada", relembra Leniel.

"Jairinho chegou cedo na minha casa, ficou me fazendo companhia e pediu para perguntar ao Leniel se j√° tinha havido alguma resposta. Foi quando Leniel respondeu que tudo estava atrasado pois o IML estava sem abastecimento de √°gua. Jairinho ficou indignado e disse que se fosse preciso, compraria um caminh√£o pipa pra ajudar (...)", ressalta outro trecho.


A investiga√ß√£o mostrou que o vereador Jairinho tentou acelerar o enterro de Henry, ligou para um executivo do hospital e até para o governador, Claudio Castro. Ambos afirmam que se negaram a interceder no caso.

A carta também acusa o ent√£o advogado de Jairinho, André Barreto, de organizar uma vers√£o inventada para a morte de Henry.

"O Dr. André se apresentou, disse que era casado, que tinha 4 filhos, que estudou para ser padre, que era religioso e que n√£o pegava casos de homic√≠dios se n√£o acreditasse na inoc√™ncia dos seus clientes e nos separou. Fez uma entrevista particular comigo (...). E depois, fez a mesma coisa com Jairinho separado", diz um trecho.

"No dia seguinte, o Dr. André foi até a casa do pai do Jairinho para conversarmos, mas que só aceitaria o caso se nos un√≠ssemos e combin√°ssemos uma vers√£o inventada (...). Na mesma hora eu questionei por que eu n√£o poderia dizer o que realmente tinha acontecido, j√° que tinha sido um 'acidente doméstico' (...). Eu ainda n√£o estava satisfeita e disse que falaria a verdade, que eu n√£o via problema algum (...). Foi quando a fam√≠lia dele disse que aquela seria a √ļnica vers√£o! Que o Dr. André era um excelente criminalista, que ele teria cobrado 2 milh√Ķes de reais pelo casal (mas que só depois percebi que a defesa era apenas do Jairinho).", conta outro trecho da carta.

"Todos os meus passos eram controlados, todas as liga√ß√Ķes que eu fazia havia alguém por perto, sempre monitorada e eu acalmava meus pais, dizendo que eram orienta√ß√Ķes do advogado. Era um controle absoluto!", destaca outro trecho da carta.

"Ela estava sim isolada de muitas coisas e ela só pôde ter a no√ß√£o da realidade muito tempo depois. Por isso a pris√£o dela representou de fato uma liberta√ß√£o dessa situa√ß√£o", relatam os advogados.

Em nota, a defesa do advogado André disse que ele jamais alterou a narrativa apresentada pelo casal, desde o in√≠cio de forma √ļnica.

"Depois eu vi ali a Monique falando que o Jairo tava manipulando, na verdade é o inverso. A Monique, se voc√™ for falar com qualquer amigo da Monique, a Monique é conhecida como manipuladora. N√£o sendo manipulada", destaca Leniel.

Uma selfie de Monique na delegacia no dia do depoimento chamou a atenção. Monique chegou a dizer que não se lembrava de ter feito a foto. Agora, os advogados apresentaram prints de uma conversa dela com uma tia.

"Na verdade, foi divulgada uma foto de Monique completamente descontextualizada. Na verdade aquilo ali se tratava de um di√°logo entre ela e um de seus familiares que estava preocupado", contam os advogados.

Monique permaneceu ao lado de Jairinho até o dia da pris√£o. Agora, ela conta v√°rios episódios em que foi agredida por ele.

"Decidimos pedir uma sobremesa pelo iFood. Na hora que o entregador chegou e eu fui buscar na porta, o rapaz disse que era o dono da loja, que estavam come√ßando e (...) desse a avalia√ß√£o no iFood. Jairinho me perguntou o que o entregador tinha falado e eu contei exatamente como aconteceu (nada demais). Ele come√ßou a me xingar de 'p***', (...) que eu n√£o dava respeito à imagem dele. Ele pegou o telefone celular e enviou uma mensagem de voz para uma mulher amiga dele da vigil√Ęncia sanit√°ria, dizendo que tinha chegado uma sobremesa na casa dele, estragada, que ele estava passando mal (...) e pediu que ela fosse até l√°, para interditar o local. Fiquei com muita raiva dele e disse: "j√° que as sobremesas est√£o estragadas, vou jogar fora as de morango que guardei na geladeira". Ele me xingou de todos os nomes poss√≠veis e imposs√≠veis, que toda semana ele iria até o estabelecimento mandar quebrar a loja, mandar assaltar, mandar quebrar as motos das entregas, mandar bater no dono, que ele ia imprimir a foto dele e dar para seus amigos causar preju√≠zos até que fechasse", diz um trecho da carta.

Leniel, que recebeu também recebeu uma carta de Monique, disse que n√£o acredita na palavra dela. "Essa Monique coitadinha que apanha e fica quieta. N√£o. A Monique nunca foi assim. T√° muito bem claro que ela sabia que o Henry tava sendo agredido e n√£o fez nada, né? N√£o falou e n√£o fez nada", conta.

Fonte: Da Redação com Fantástico

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