Vaticano diz que uso de vacinas contra Covid-19 'que tenham usado linhas celulares de fetos abortados' é ético

Uma nota da congregação doutrinária do Vaticano, a Congregação para a Doutrina da Fé, disse que o uso de tais vacinas era permitido, desde que não houvesse alternativas.

Por Paulo Pereira em 22/12/2020 às 12:28:08
Trabalhadora da saúde prepara dose de vacina contra a Covid-19. (Foto: JACK GUEZ / AFP)

Trabalhadora da saúde prepara dose de vacina contra a Covid-19. (Foto: JACK GUEZ / AFP)

O Vaticano disse aos católicos romanos nesta segunda-feira (21) que é moralmente aceit√°vel que eles usem vacinas contra a Covid-19, mesmo que tenham utilizado "linhas celulares de fetos abortados no seu processo de pesquisa e produ√ß√£o".

Uma nota da congrega√ß√£o doutrin√°ria do Vaticano, a Congrega√ß√£o para a Doutrina da Fé, disse que o uso de tais vacinas era permitido, desde que n√£o houvesse alternativas.

O desenvolvimento de vacinas pode envolver o uso de culturas de células obtidas de fetos que foram abortados. No entanto, isso n√£o significa que foi realizado um aborto para a produ√ß√£o dos imunizantes. As células obtidas para as pesquisas s√£o de décadas atr√°s, foram replicadas e j√° foram usadas na produ√ß√£o e testes de diversos medicamentos. Além disso, no caso das vacinas, essas células s√£o usadas como plataforma para produzir v√≠rus atenuados, mas n√£o est√£o presentes em sua composi√ß√£o.

A nota, explicitamente aprovada pelo Papa Francisco, segundo o Vatican News, afirmou que no caso da atual pandemia "podem ser usadas todas as vacinas reconhecidas como clinicamente seguras e eficazes com a consci√™ncia certa de que o uso de tais vacinas n√£o significa coopera√ß√£o formal com o aborto do qual derivam as células com as quais as vacinas foram produzidas".

A Congrega√ß√£o da Fé defende que a vacina√ß√£o contra a Covid-19 deve ser volunt√°ria, mas evidencia o dever de buscar o bem comum. Este bem comum, "na aus√™ncia de outros meios para deter ou mesmo prevenir a epidemia, pode recomendar a vacina√ß√£o, especialmente para proteger os mais fracos e mais expostos", informa a nota.

A congrega√ß√£o também define como "um imperativo moral" garantir que vacinas eficazes e "eticamente aceit√°veis" sejam acess√≠veis também nos pa√≠ses mais pobres e de forma n√£o onerosa para eles. Segundo a entidade, a falta de acesso às vacinas "se tornaria outro motivo de discrimina√ß√£o e injusti√ßa".

Fonte: Da Redação com O Globo

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