Risco de morrer por Covid aumenta quando a quantidade de vírus é maior no organismo, apontam estudos

Pesquisas feitas em São Paulo e em Nova York apontam que identificar evolução da replicação do vírus pode ajudar na triagem de pacientes e administração de remédios.

Por Carolina Dantas em 09/08/2020 às 09:19:31

Duas pesquisas divulgadas nesta quinta-feira (6) apontam que h√° uma rela√ß√£o entre a carga viral (quantidade) do novo coronav√≠rus em pacientes hospitalizados e a mortalidade por Covid-19. Uma forte presen√ßa de material genético do Sars CoV-2 pode representar uma maior chance de morte, de acordo com os autores.

Um dos estudos é uma pesquisa brasileira, ainda em an√°lise para publica√ß√£o de revistas cient√≠ficas, liderado por uma equipe da Universidade Federal de S√£o Paulo (Unifesp). Os autores observaram dados do Hospital S√£o Paulo entre os 14 de mar√ßo e 17 de junho de 2020. Como funcionou:

  • Foram inclu√≠dos 875 pacientes, que fizeram o teste RT-PCR e tiveram resultado positivo para o Sars CoV-2;
  • Entre eles, 50,1% tiveram vers√£o leve da doen√ßa, 30,4% a moderada e 19,5% a Covid-19 grave;
  • A idade média do grupo foi de 48 anos (de 2 a 97 anos), sendo que 50,9% eram mulheres.

O estudo mostrou que a taxa de mortalidade foi de 46% em pacientes com carga viral maior, contra 22% para os pacientes com uma menor quantidade do v√≠rus. Além disso, as pessoas que estavam no in√≠cio da infec√ß√£o mostraram uma maior quantidade do v√≠rus."O que a gente mostrou é que voc√™ tem uma carga viral aumentada de pacientes hospitalizados que morrem em rela√ß√£o aos hospitalizados que n√£o morrem. E voc√™ tem também uma carga viral alta no in√≠cio da infec√ß√£o", disse a coautora e infectologista Nancy Bellei.

A pesquisadora disse que saber a influ√™ncia entre a carga viral e a mortalidade pode contribuir para quando a ci√™ncia identificar um medicamento vi√°vel. "Conhecendo a din√Ęmica da carga viral, seria interessante voc√™ estratificar esses pacientes. De repente, na hora que tiver droga, saber o momento certo de tratar e se é necess√°rio tomar algumas precau√ß√Ķes".

Pesquisa americana

Seis cientistas analisaram dados de pacientes da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, em Nova York. A coleta das informa√ß√Ķes ocorreu entre 13 de mar√ßo e 4 de maio.

  • Participaram 1.145 pessoas infectadas com o Sars CoV-2;
  • A média de idade foi de 65,6 anos, sendo que 56,9% eram homens;
  • O método escolhido para determinar alta e baixa carga viral foi a quantidade de cópias do v√≠rus por mililitro.

Neste estudo, os autores demostram que também existe uma taxa de mortalidade maior entre pacientes com carga viral alta - uma chance 7% maior a cada cópia do v√≠rus detectada.

Assim como os pesquisadores brasileiros, os americanos dizem que o estudo pode ajudar a estratificar melhor os pacientes, com estratégias de acordo com o risco de morte.

"A transforma√ß√£o do teste qualitativo em uma medida quantitativa da carga viral ajudar√° os médicos a estratificar os pacientes e a escolher entre as terapias e ensaios dispon√≠veis. A carga viral também pode afetar as medidas de isolamento com base na infecciosidade", escreveram os cientistas.

Fonte: Da Redação com G1

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