Fiocruz aposta em vacinação contra covid-19 a partir de 2021

Caso as previs√Ķes se confirmem, a expectativa √© que o pa√≠s passe a produzir nacionalmente a vacina a partir do segundo semestre de 2021.

Por Paulo Pereira em 26/07/2020 às 18:16:55
Expectativa é que vacina comece a ser produzida em massa no segundo semestre de 2021 (Foto: Reprodução)

Expectativa é que vacina comece a ser produzida em massa no segundo semestre de 2021 (Foto: Reprodução)

Pesquisadores da Fiocruz apostam em vacina√ß√£o inicial contra a covid-19 em fevereiro de 2021 para um p√ļblico espec√≠fico. A partir da√≠, a produ√ß√£o nacional das doses poder√° garantir imuniza√ß√£o à popula√ß√£o em geral, afirma a vice-diretora de Qualidade da Bio-Manguinhos (Fiocruz), Rosane Cuber Guimar√£es.

Os recentes resultados de pesquisas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sobre a seguran√ßa da vacina contra a covid-19 elevaram o n√≠vel de otimismo em todo o mundo que, desde dezembro do ano passado, observa o alastramento do novo coronav√≠rus, causador da doen√ßa, em todas as regi√Ķes. As pesquisas das fases 1 e 2, exigidas pelo procedimento cient√≠fico, descartaram efeitos adversos graves provocados pela vacina. Foram registrados relatos de pequenos sintomas, como dores locais ou irritabilidade, aceitos em vacinas contra outras doen√ßas.

O Brasil foi um dos pa√≠ses escolhidos para participar da Fase 3 dos estudos, que testa a efic√°cia da vacina. Os testes, que est√£o a cargo da Universidade Federal de S√£o Paulo (Unifesp) e outras institui√ß√Ķes parceiras, envolvem 5 mil volunt√°rios de S√£o Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A expectativa é detectar a capacidade de imuniza√ß√£o das doses e, a partir da√≠, a Fiocruz – parceira brasileira nas pesquisas de Oxford – receber√° autoriza√ß√£o para importar o princ√≠pio ativo concentrado, que ser√° convertido inicialmente em 30 milh√Ķes de doses a serem aplicadas em parcela da popula√ß√£o brasileira.

Rosane Guimar√£es disse ao programa Impress√Ķes, da TV Brasil, que vai ao ar neste domingo (26), às 22h30, que, em dezembro deste ano, o Brasil receber√° 15 milh√Ķes de doses e, em janeiro, mais 15 milh√Ķes de doses.

"Estamos recebendo agora apenas 30 milh√Ķes de doses porque precisamos, antes de liberar a vacina, ter certeza da comprova√ß√£o da efic√°cia dela. Ent√£o nós adquirimos 30 milh√Ķes de doses no risco e, se a vacina se comprovar eficaz, vamos receber mais 70 milh√Ķes de doses, totalizando, para o pa√≠s, no primeiro ano, 100 milh√Ķes de doses de vacinas", disse.

A Bio-Manguinhos ser√° respons√°vel pela transforma√ß√£o do princ√≠pio ativo e far√° a formula√ß√£o final das vacinas, além de envasar, rotular e entregar o material para que o Programa Nacional de Imuniza√ß√£o do Ministério da Sa√ļde fa√ßa a distribui√ß√£o. As primeiras doses devem ser destinadas aos grupos de risco, como profissionais de sa√ļde e pessoas idosas, mas isso ainda est√° em debate.

Caso as previs√Ķes se confirmem, a expectativa é que o pa√≠s passe a produzir nacionalmente a vacina a partir do segundo semestre de 2021. "Paralelamente a isso, precisamos avaliar se ser√° necess√°ria apenas uma dose da vacina, se ser√£o necess√°rias duas doses, se ser√° necess√°rio revacinar. S√£o perguntas para as quais ainda n√£o temos respostas. Os estudos v√£o continuar", disse a especialista em vigil√Ęncia sanit√°ria.

Segundo Rosane, a vacina est√° em um excelente caminho e avan√ßou rapidamente porque Oxford j√° trabalhava com o mesmo adenov√≠rus de chimpanzé que est√° sendo usado nas pesquisas, um v√≠rus que n√£o causa doen√ßa em seres humanos.

Rosane explicou que a vacina carrega uma sequ√™ncia do RNA do coronav√≠rus e da prote√≠na spike, que pode garantir que um organismo produza anticorpos. "Eles fizeram testes nessa plataforma [utilizando esse princ√≠pio] para Mers [s√≠ndrome respiratória do Médio Oriente] e para ebola. Eles j√° tinham grande parte do que é necess√°rio para produ√ß√£o da vacina, preparado, o que j√° foi um acelerador. Outra coisa é que, neste momento de pandemia, os estudos cl√≠nicos foram facilitados e houve colabora√ß√£o entre os pa√≠ses."

Mesmo com os indicativos positivos, Rosane alerta que a pandemia n√£o vai ser resolvida de uma hora para outra. "Acreditamos que, em 2021, ainda n√£o se consiga vacinar completamente toda a popula√ß√£o. Nossa orienta√ß√£o é que enquanto a vacina n√£o sai, ou ainda estiver sendo aplicada, que as pessoas mantenham as orienta√ß√Ķes que j√° existem hoje: uso da m√°scara, lavar as m√£os, evitar aglomera√ß√£o, distanciamento. Ainda temos que continuar convivendo com esses cuidados até que todas as respostas sejam dadas pela vacina."

A possibilidade de um revés é praticamente descartada pela pesquisadora. Segundo Rosane, a Fase 3 dos estudos pode, sim, apontar um grau de imuniza√ß√£o de mais de 90%. "Se for maior, a gente consegue relaxar um pouco", mas h√° riscos de que essa efic√°cia atinja n√≠veis de apenas 50% ou 70%. "Vamos ter que fazer mais estudos e talvez buscar uma vacina com potencial maior, mas j√° ser√° um alento se tivermos uma vacina com mais de 70%."

Atualmente, o Brasil é terreno fértil para a pesquisa por ocupar o segundo lugar entre os pa√≠ses com maior n√ļmero de casos da covid-19.

H√° outras empresas trazendo vacinas para o Brasil. Um exemplo é a pesquisa desenvolvida pela parceria entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa Sinovac, com sede em Pequim. Nas próprias instala√ß√Ķes da Bio-Manguinhos, cientistas brasileiros desenvolvem dois estudos, que est√£o ainda em fase pré-cl√≠nica, com experimentos em animais.

Fonte: Da Redação com Agência Brasil

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