Siamo tutti buona gente.

A história não autorizada de Parelhas

Por Geraldo Bernardo em 03/11/2019 às 04:25:16

Na genealogia deste matuto mistura-se tudo que há de gente: branco, preto, macumbeiro, crente, e muito ateu. E tem muito cabra bruto. Cabra que se faz de leso e é astuto.

De minha descendência paterna herdamos uma ligação fraterna. Venha de onde vier o parente é acolhido e todo seu segredo protegido.

E como é grande essa nossa família espalhada pelo mundo inteiro, gente de espírito aventureiro

que se originou lá na Sicília e nunca esqueceram os costumes da ilha. Como ter à mesa muita fartura, ter porte elegante e alta cultura. Os homens fingem que são eles quem mandam mas, são suas mulheres quem comandam. Por séculos a tradição perdura.

Por causa de uma vendeta familiar migraram para o reino da França. Após cometerem grande matança para a Espanha foram obrigados a migrar. Por morte, em Portugal foram morar. O primeiro governador-Geral foi quem convidou o primeiro casal para morar e trabalhar em Salvador. Meu antepassado foi construtor do Forte do Mar na velha capital.

Foi a partir deste casal pioneiro que outros parentes nossos embarcaram e por todo este Brasil se instalaram. Alguns fizeram fama e dinheiro, trabalhavam em tudo, de: vaqueiro capitão do mato, comerciante, matador de aluguel ou vigilante. O sanguinário Garcia D"ávila doou uma sesmaria para o tataravô deste menestrel de vida errante. O senhor da Casa da Torre gostou de como meu tataravô fazia no ofício de açoitar a escravaria.

Num certo dia um negro se rebelou, ardiloso, uma emboscada preparou para assassinar o latifundiário, o velho torturador e sanguinário. Meu tataravô logo descobriu matou o negro e seu conceito subiu tornando-se um sesmeiro lendário.

Três léguas quadradas, era a sesmaria, no Rio Grande do Norte situada, onde meu tataravô fez morada. O começo foi de guerra e estripulia para expulsar os Canindés que ali havia. Diz-se que o velho fazia uma parelha de dois Tarairiús, mirava-os de esguelha, e dizia:

– Corram ou morram.

Disparava com seu bacamarte e gargalhava. Assim nasceu no Seridó, Parelhas.

Trago na trajetória a tragédia no meu nome Nobre há muita morte dos Janduís do Rio Grande do Norte. De meu Pinto vem um povo sem rédea que matou, estuprou e disso fez comédia.

Matuto, cabra e sobrevivente é o que sou. Jamais serei um delinquente, trago o carma de meus antepassados, pela história são condecorados, porém, cumpro sina diferente.

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