Também sou Nobre com Pinto no meio

Conheça a história de um Pinto bastardo.

Por Geraldo Bernardo em 24/10/2019 às 12:34:38

Não tenho pedigree, tenho história.

Há quem ache que é defeito ser pobre, mas é melhor ter mais caráter que cobre. E caráter em nossa família é memória, monumento, para todos é glória. De gente que nas caravelas veio, ibéricos e italianos buscando esteio nas terras virgens do nosso sertão.

Chamados de: Da Luz, Britos, Alecrins, Nobres e, na ocasião, meu Pinto no meio.

Pinto, Da Luz são da banda paterna, que apesar de belo sobrenome, na Europa viviam passando fome. Já Alecrim, Nobre é da herança materna. Juntaram-se, mas, não foi fraterna Como se deu esta união familiar.

Pinto Da Luz sempre foi militar, xeleléus dos tais donatários, atrozes, malfeitores e sanguinários. Vieram para os ameríndios dizimar.

De Alecrim Nobre veio surgir o Brito, de uma história que depois eu lhes conto.

Os primeiros se igualavam num ponto: solidários e de paz de espírito, contudo não suportavam grito. Gente alta, inteligente e tez loura que sabia trabalhar na lavoura. Também eram ferreiros, seleiros, barbeiros, marceneiros, vaqueiros e um monte de galega casadoura.

A avó da Veia Cãinda, foi pega a laço nas cercanias do velho Arraial de Piranhas, é que os antigos tinham essas manias estranhas, no lugar de um flerte, beijo ou abraço. O Pinto Velho, que ainda era cabaço, bajulador dos Oliveira Ledo, laçou uma Tarairiú e a criou em segredo numa loca de pedra afastada. Pelo tornozelo foi amarrada, tendo por companhia solidão e medo.

Seu amo, o Pinto Velho ou Velho Pinto, como pelos outros era conhecido a tratava como animal querido, se ela gritasse apanhava de cinto. Noite sim, noite não, enfiava o pinto nas entranhas da sua prisioneira cunhã. Levava água e ração toda manhã a não ser que ela estivesse menstruada naqueles dias ela não comia nada tampouco o Pinto Velho cumpria seu afã.

A prática muito tempo ainda durou, vez por outra, quando índia engravidava, sempre um abortivo ele ministrava. Uma vez que o remédio não funcionou, a cabeça do rebento o velho esmagou atirando com ódio a pobre criatura contra a parede de rocha dura.

Olinto Pinto, assim se chamava o Velho Pinto, era um cidadão de bem. Um dia decidiu que ia casar-se com alguém, com mais de cinquenta anos já estava e, conforme a madre igreja mandava, com uma órfã recém púbere casou.

Uma casa de fazenda edificou mas, a índia nunca deixou de visitar. Com ela podia as perversões realizar, coisa que com a esposa nunca tentou.

Com o tempo o Velho Pinto amoleceu, a índia também a meia idade chegara, já vivia solta e acostumada a tara do Pinto Velho. Até que aconteceu que outro filho nela ele concebeu. O destino ou remorso lhe sobreveio, e, para aplacar seu pecado tão feio quando a índia pariu, o filho ele adotou com sobrenome Pinto registrou e por isso meu nome tem Pinto no meio.

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