A lógica binária da modernidade e as relações étnico raciais

Por Paulo Pereira em 05/07/2021 às 22:14:36


A modernidade é binária por que foi construída diante de um processo de auto afirmação e defesa de uma visão de mundo da burguesia em ascensão essa burguesia criou uma perspectiva de vida pautada numa economia do lucro uma política de dominação numa cultura universal portanto criou um entendimento, uma lógica binária da organização da vida.

O "eu" universal iluminista era o ideal a ser seguido e os diferentes grupos, que não se encaixavam nessa perspectiva eram vistos como "outros".

O racional etnocêntrico era o ideal e aquilo que não fosse traduzido como racional já era entendido como loucura.

O normal, e a normalidade foi construída na visão dessa burguesia, era o ideal e tudo aquilo que não fosse inserido dentro de um entendimento de normalidade era visto como anormal.

E assim também podemos colocar a questão de gênero masculino feminino e a questão da raça superior inferior

Foram formas de subjetivar o ser humano - dentro de uma lógica binária burguesa

Entretanto mesmo diante dessa lógica binária, capitalista, burocrática, disciplinar e hierárquica, que tentar construir uma história única, uma verdade única de visão de mundo, é possível reconfigurar o entendimento sobre a vida e no caso escolar é possível reconfigurar o currículo pautado nesses valores para um currículo mas diverso que coloque em evidencia às demandas da diversidade.

Como dentro da lógica binária podemos reconfigurar o currículo? É necessário olhar e ver as injustiças, sentir incômodos com a realidade de opressão que historicamente impera em nossa sociedade. A exemplo, temos a história de luta/resistência do movimento negro que enfatizou mudanças no ensino, que promoveu denúncias sobre a discriminação racial, que trouxe a tona o contexto de conscientização do racismo, que em 2003 foi a base para que a Lei 10.639 fosse construída. E com base nessa lei, hoje alterada para a lei 11.645, temos uma garantia institucional para aplicar conteúdos que abordem os grupos étnicos excluídos pelo binarismo moderno ocidental que ainda insiste em existir entre nós

Nós professores antirracistas precisamos nos entender enquanto subjetividades curricularizadas (GOMES, 2019), porque não apenas produzimos saberes, como definimos saberes diante do que percebemos como demandas sociais, diante dos novos contextos que se apresentam em sociedade, ou seja,enquanto professores nosso saber transita entre o acadêmico e o social, somos educadores sociais, percebemos o quanto a educação precisa encaminhar propostas pedagógicas com posicionamento político (não se esqueçam do PPP da escola) para que novas gerações possam viver com maior harmonia dentro de suas diferentes visões de mundo.

O que queremos é que a educação funcione como uma ponte de justiça social diante das demandas dos grupos étnicos que são marginalizados em nossa sociedade, pois um professor antirracista se preocupa com a sociedade que colabora em construir.

Eu sou Lavini Castro Educadora Antirracista

Mestre em Relações Étnico Raciais

Fonte: Lavini Castro Educadora Antirracista

radioweb
Anuncie Aqui